Proibido Dar Aula



Celso Vallin,  1999


Muito tem sido falado sobre a escola moderna ou sobre as modernices da escola. Muitas vezes não fica muito claro o que se quer indicar. A própria palavra "moderna" começa a ter seu sentido descaracterizado. Já estamos em época em que a palavra moderno não significa mais atual. Muitos autores definem nossa época como pós-moderna, e já é comum se dizer pós-modernidade. Algumas vezes, para distingüir o melhor do pior, usam-se os termos novo e velho.

De qualquer forma, a maneira mais avançada de se enxergar a escola e a educação, nem sempre é coisa muito clara. É comum que se fale da escola avançada, sem que se precise o que exatamente é aceito como avanço. Por vezes, idéias contrárias são defendidas como avanços. Não se pode dizer que essas contradições entre idéias sejam novidade, ou que sejam de causar espanto. Sempre houve pontos de vista diferentes, e até contraditórios, e sempre houve quem os defendesse como avançados. O que é importante, é que se tenha conta disso, e que se procure usar nomenclatura diferente de "avançado" ou "moderno" ou coisa equivalente para definir a maneira de se fazer ou de se entender a educação. É importante que se use uma nomenclatura que denote as características da educação desejada de maneira que as pessoas se identifiquem e que se entendam.

As palavras construtivista e contrutivismo foram muito usadas nos últimos 20 anos e acabaram até mesmo desgastadas. É comum que pessoas usem tal expressão, aplicada a práticas conteúdistas.

Coloco aqui duas possíveis maneiras de se enxergar a educação. Algumas escolas e pessoas, preocupam-se principalmente com a formação de um cidadão autônomo, crítico, analítico, pensante, flexível e adaptável. Outros, dão maior ênfase ao sucesso imediato, tendo em vista a colocação do indivíduo na sociedade que se apresenta atualmente, e no mercado de trabalho. Educação para o SUCESSO ou para a CIDADANIA. Vamos tentar mostrar que uma opção acaba por atrapalhar o desenvolvimento da outra, o que implicaria em uma decisão - ou a escola é pela Autonomia ou ela é pelo Sucesso.

As pessoas fazem parte de grupos e defendem suas idéias. Um grupo acha que o outro está errado. Cada grupo entende que sua idéia é a melhor. Algumas pessoas trabalham dentro de uma lógica de pensamento, sem ter a clara noção das duas possibilidades. Ninguém acha que educa para a dependência, nem para o insucesso.

Sucesso ou autonomia? Quem deve decidir? Escola? Professores? Alunos? Pais? Coletividade?


S u c e s s o ,     V e s t i b u l a r

Algumas iniciativas da escola, hoje, buscam o sucesso. Sucesso no vestibular, sucesso em situações profissionais conhecidas, e sucesso nas provas, de maneira geral. Entrega-se pronto para o aluno a explicação, o mais clara e digerida possível, de maneira que ele possa com o mínimo esforço ser capacitado para executar alguma atividade. São ensinadas "dicas", "mancadas" ou "macetes" que o farão conseguir ter sucesso na atividade. Não importa muito que o indivíduo seja capaz de analisar o que está fazendo. O importante é que ele seja capaz de fazer com sucesso. Fazer certo e com rapidez. Não precisa explicar os porquês. Precisa saber fazer, ou saber responder.(10)

Quando se pensa em análises, dentro do ponto de vista do sucesso, as análises desejadas são trazidas pelo professor ou pelo livro, são expostas e aprendidas. Melhor seria dizer que as análises são REPRODUZIDAS.

Quando uma explicação é reproduzida, não se tem nenhuma garantia de que o indivíduo será capaz de adaptá-la a outra situação nem que ele será capaz estabelecer por conta própria outros raciocínios semelhantes.

Deve-se perceber que entre as duas posturas educacionais, numa se consegue quantidade e rapidez e noutra se consegue qualidade e potencial. Na cultura do sucesso, as coisas precisam ser apressadas. Tudo vem bem explicadinho e tudo vem bem preparado, de modo que rapidamente se expõe o conteúdo desejado e pode-se supor que o aluno teve condições para aprender. Na cultura da autonomia, é preciso que se espere que cada um faça suas observações e desenvolva seus raciocínios. Conversas devem acontecer para que uns exponham suas idéias aos outros e que as justificativas sejam examinadas, discutidas. Assim, tudo acontece mais devagar e com maior dificuldade. Pode-se dizer no entanto que os alunos saem do processo com maior firmeza com relação ao conhecimento desenvolvido. Maior firmeza porque percebem em que contextos aquelas regras valem além do que  saem com um potencial para desenvolver novas observações, análises e críticas. Novos relacionamentos serão estabelecidos individualmente a posterióri. O indivíduo estará mais preparado para aplicar seus conhecimentos em situações jamais vistas. Ele será mais criativo, no sentido de que conseguirá mais facilmente encontrar soluções para problemas inéditos. Criar é articular conhecimentos e idéias de maneira a atender um objetivo desejado. Criar não é copiar, não será reproduzir ou repetir.


D i d á t i c a

A palavra "didática" é freqüentemente usada com o sentido de atividade bem preparada, adequada à assimilação pelo aluno. Ser didático pode adquirir o sentido de ser um educador que facilita a vida do aprendiz. E quando se pensa em facilitar a vida do aluno, deve-se ter a preocupação de não minar sua autonomia. Podem ser dados exemplos.

Preocupar-se com a dicção é qualidade didática, que não atrapalha a autonomia do aluno. É fácil perceber que falar enrolado, em nada contribuirá para a autonomia do aluno. Mesmo na preocupação de desenvolver-se a autonomia, deve-se ter atenção com a dicção.

Apresentar eficientes resumos da matéria pode ser considerado como qualidade didática mas desfavorece a autonomia. Deseja-se que cada indivíduo seja capaz de ler vários textos, bons e ruins, e que desenvolva sua capacidade de analisar o que serve em cada um, e que seja capaz de elaborar seus próprios resumos. Quem consegue fazer um resumo, muitas vezes não precisará dele, porque para chegar até ali executou tantas operações mentais que já absorveu o conhecimento.

Os limites adequados para facilitação irão variar conforme a idade do aluno e conforme a situação. Coisa controversa acontece em nossa sociedade quando escolas se preocupam demais com a aprovação de seus alunos nos vestibulares ou com a possibilidade de apresentarem seus conhecimentos, em provas ou em conversas: quando concentram seus esforços sobre os conteúdos curriculares, ao invés de se preocuparem com as operações mentais. Passam a criar meios elaborados e sofisticados de facilitarem o "aprendizado" de seus alunos.

Um exemplo clássico disso são os resumos de livro. Para irem bem nas provas de literatura, sem precisar gastar tanto tempo, os alunos passam a ler resumos ao invés de lerem os livros. Os professores preparam os resumos. Neles encontram-se as principais características que deveriam ser observadas na obra. Dar a chance ao aluno para ler resumos ao invés de livros é prejudicar o desenvolvimento de sua autonomia de análise literária. Ainda que o professor não recomende o uso desses resumos, deve praticar aulas e provas de maneira que tais resumos não bastem para os alunos.

O mesmo acontece em outras disciplinas.  O ensino centrado no conteúdo é uma espécie de simplificação da vida: tudo sobre a intelectualidade - matemática, física, química, biologia, história, geografia, literatura, gramática, e outras coisinhas em apenas dois volumes! Existem compêndios do conhecimento humano que podem ser muito úteis nas mãos de pessoas que não sejam limitadas a eles, e que saibam pensar e saibam como e onde fazer proveito deles.

Analogamente ao que acontece com as aulas conteudistas tradicionais, encontramos programas em vídeo e programas de computador que são baseados na lógica de pensamento da facilitacão extremada, e do aprendizado rápido e objetivo. Toda a tecnologia disponível é colocada a serviço desses objetivos. Normalmente o professor que trabalha dentro da lógica da facilitação gosta mais desse tipo de vídeo ou de programa de computador. Como resultado poderemos encontrar uma criança ou um adolescente que, cada vez mais, se sentirá uma vítima da escola, e da sociedade adulta, vítima por ele estar sendo conduzido ao invés de exercitar sua condição humana. Papert(8,9) fala que a criança deve programar o computador ao invés do computador programar a criança. O problema vai além do computador. É uma questão de postura educacional. Vale a pena ler a Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire(7). A decisão é uma decisão de vida. Como eu gostaria de ser? Como eu gostaria que meus filhos, ou meus alunos fossem diante da vida? Conforme seu pensamento, será sua postura educacional.


D a r    a u l a

Quando o professor e a escola querem formar um indivíduo pensante, autônomo, analítico, crítico, sensível, humanista, flexível e adaptável, não se pode "dar" aula (2,3,4).

A expressão "dar aula" trás embutida em si, o conceito da educação tradicional, a educação conteudista. De maneira simplória poderíamos dizer que esse tipo de visão escolar prevê que os conteúdos curriculares são coisas já definidas e estanques e que o professor poderá dominá-los por completo e poderá passar aquilo tudo ao aluno. Imagina-se que o aluno poderá "apreender" todo o conteúdo, e que poderão ser elaboradas provas que medirão de forma adequada o quanto os alunos aprenderam os conteúdos. Assim são quotidianamente usados os verbos - eu dei aula, eu dei prova, eu fiz prova, eu assisti aula, eu aprendi, eu não fui bem ...

As coisas não são tão simples assim. A sociedade se tornou mais complexa(1), mais ágil e dinâmica e atualmente deseja-se que cada pessoa seja mais do que um executor de alguma profissão. Não se pode mais dizer que alguém está "formado" e que com isso, poderá gozar de estabilidade ocupacional na sociedade.

As coisas não mudaram tanto assim. É evidente que em todos os tempos passados, havia pessoas pensantes, analíticas, críticas, .... O que está mudando é que hoje, esses atributos são mais importantes do que eram, e se espera que um cidadão comum os tenha todos.


O   que  é  ser  um   c i d a d ã o    c o m u m ?

Para responder esta pergunta já temos que divagar por entre outros conceitos. Nossa sociedade está dividida em classes. Gostemos ou não.

Há os que só trabalham e não têm condições de pensar, ou, quando pensam, não são vistos e portanto não têm direito a emitir suas opiniões.

Há aqueles que nem têm trabalho constante, e que vivem como podem, e que vivem improvisando, fazem "bicos".

Há os empresários, que organizam as atividades econômicas e que freqüentemente participam ativamente da exploração do trabalho de outros e de esquemas desiguais de distribuição de ganhos. Eles detêm o poder e por isso vivem com seus carros, casas, barcos, casa de praia e etc, enquanto que seus empregados, ou companheiros de trabalho, vivem uma condição completamente diferente.

Há ainda os trabalhadores com formação em nível superior, que freqüentemente estão no meio termo entre os empresários e os trabalhadores finais. São chamados de classe média, e possuem mordomias limitadas, e participam moderadamente dos esquemas de exploração.

Dentro desse panorama, não é muito fácil definir o que seria um cidadão comum. Para tanto devemos imaginar relações trabalhistas mais justas, devemos imaginar uma sociedade transformada e, nela sim, imaginar um cidadão. Uma pessoa que nem seja explorador nem explorado. Uma pessoa que consiga ao mesmo tempo dominar a tecnologia e a sociologia, mas que tenha regalias limitadas e que trabalhe para o desenvolvimento da coletividade, e não simplesmente em função de seu sucesso pessoal. Imaginemos uma sociedade com diferenças menos extremadas e uma pessoa que possa servir a essa sociedade.


E d u c a r    p a r a    a    c i d a d a n i a 

As coisas não mudaram tanto assim. É evidente que em todos os tempos, houve pessoas pensantes, analíticas, críticas, e etc. O que está mudando é que hoje, esses atributos são mais importantes do que eram, e se espera que um cidadão comum os tenha todos. Assim a escola precisa exercitar e desenvolver as capacidades de fazer análise e de criticar. Em cada assunto ( ou conteúdo curricular) é importante que sejam percebidas as características de todos os elementos envolvidos e que se consiga relacionar tais características com situações vividas ou a serem vividas. Mais do que conhecer certos elementos e certas relações, a capacidade de perceber as características dos elementos do conteúdo curricular e a capacidade de se estabelecer relações entre eles, e entre estes e outros, externos àquele currículo, passam a ser mais importantes do que eram antes.

Em outras palavras. Passam a existir muitos elementos curriculares, tantos e tantos que não se consegue mais expor todos. O indivíduo em formação não agüenta mais ser instruído para repetir tantos nomes, operações e relacionamentos. Daí a necessidade de se desenvolver uma pessoa que seja capaz de aprender por seus próprios meios. Daí a importância da AUTONOMIA.

Autonomia pode ser equiparada com cidadania. Uma pessoa que é capaz de pensar - não simplesmente num problema de matemática, mas que consegue se ver como pessoa na sociedade, que seja capaz de perceber as relações de poder que acontecem, e situar a si e aos outros nessas relações, que seja capaz de perceber como cada item curricular (matemática, ciências, ...) será capaz de influenciar em sua qualidade de vida e nas possibilidade de qualidade para a vida de toda a sociedade, uma pessoa assim pode ser chamada de cidadão, e dificilmente se deixará explorar. Por outro lado, deve-se prepará-la para a ética, de maneira que, quando ela for poderosa, saiba ainda reconhecer o direito do outro e o direito da coletividade, com amor e com justiça.

Assim, recordando - não se consegue mais ensinar tudo o que seria necessário a uma pessoa; precisamos desenvolver nelas a capacidade de aprender e de perceber os objetos curriculares e as relações entre eles por conta própria.

Para fazer isso, a escola não pode mais "dar" aula. Digamos que o aluno precisaria "pegar" aula. Ou seja, devem ser propostos desafios, tarefas e trabalhos em grupo de modo que, durante o tempo todo o aluno esteja buscando o conhecimento.

Reconhecer características - não se deve apresentar as características dos objetos. Deve-se proporcionar situações em que o aluno tenha contato com a classe de objetos que se deseja estudar e pedir-lhes atividades e propostas onde devam examinar os objetos, compará-los, estabelecer semelhanças e diferenças e com isso classificá-los. As descobertas de cada um devem ser expostas e justificadas. Não pode haver "certo"  e  "errado"  de forma absoluta. Deve-se trabalhar as justificativas, analisando-as e discutindo-as.

Estabelecer relações - as relações já estabelecidas e conhecidas não devem ser apresentadas. Os alunos precisam eles próprios estabelecerem algumas relações e novamente apresentarem uns aos outros e irem se justificando. Através da discussão das justificativas o grupo irá amadurecendo e aprendendo a fazer aquilo. Trata-se de um pensar coletivo, declarado e discutido.

Isto posto, pode-se concluir que o simplesmente NOVO, ou MODERNO, ou o PÓS-MODERNO, ou TECNOLÓGICO, não são sinônimos nem indicativos de melhoria na qualidade do processo de desenvolvimento humano, porque eles podem estar a serviço da REPRODUÇÃO ao invés do pensamento analítico.


M e l h o r i a    d a    e s c o l a

Hoje, diversas ações tem acontecido na escola, muitas vezes de forma isolada. Filosofia para crianças; Informática na educação; Multidisciplinariedade e Transdisciplinariedade; aprendizado através de projetos: são algumas das iniciativas isoladas. Todas elas querem contribuir para o mesmo objetivo: formar um cidadão participativo. Deveriam ser usadas de forma integrada e por todos. Infelizmente não fomos preparados para pensar e ainda tentamos "apreender" para depois reproduzir.

Como as pessoas não foram preparadas para trabalharem assim, ou para viverem assim, todos juntos deverão passar por uma fase de transição, onde esforços serão feitos para desenvolver os hábitos de se analisarem as situações e de se promoverem discussões. A escola precisa criar os espaços (tempo, horários), incentivar a nova postura e todos juntos devem ter a necessária paciência para que o processo educativo conjunto se desenvolva.

Além de participar de cursos de atualização, nós professores precisamos dispor de oficinas de estudo, onde possamos desenvolver projetos e fazer análises e críticas. Nós próprios precisamos desenvolver nossa capacidade de análise, de crítica e de trabalho em conjunto.

Dentro desta perspectiva de vida e de escola, a escola deve ser uma comunidade de seres aprendentes, onde existirão as figuras de professores, alunos, supervisores, técnicos, pais e mesmo funcionários, todos aprendentes. Estar em constante aprendizado significa que dentro da comunidade haverá sempre um espaço para análise e discussão. Dentro da sala de aula e fora dela. Dentro de cada categoria de aprendente e entre as categorias.

As ações que introduzem novas práticas ajudam a levar as pessoas a pensar e a analisar o que fazem. Nesse sentido, todas elas são ferramentas que podem ser usadas na comunidade aprendente com o objetivo de fazer a transição entre o paradigma conteudista e o paradigma analítico (6). Assim, computadores, telecomunicações, produção e assistência de vídeos, filosofia, projetos, projetos multidisciplinares, e outras novidades podem ser bem exploradas (ou não).

Todas essas novidades devem ser levadas aos professores e devem ser criados movimentos nas escolas, tais que todos os professores, de todas as disciplinas se sintam envolvidos e adotem as novas práticas em suas aulas.

Nada adianta usar a novidade sem que se passe a adotar rotinas de planejamento, aplicação e avaliação em conjunto com toda a comunidade aprendente. Todo o processo de transição do velho paradigma para o novo deve ser transparente a todos. Todos devem ter plena consciência da transição e do processo. Todos devem participar dos três momentos: planejamento, aplicação e avaliação. Isso estimula a co-responsabilidade.


PLANEJAR -> APLICAR -> AVALIAR -> PLANEJAR -> APLICAR -> AVALIAR ...

A única maneira de se ter chance de fazer um projeto dar certo é fazendo com que ele seja planejado por quem irá aplicá-lo. Existe todo um caminho de reconhecimento de problemas e de características do processo de aprendizagem dos alunos que precisa ser conhecido pelo professor. Não adianta um especialista super-dotado outorgar idéias ou projetos à escola ou ao professor. Por melhor que seja o projeto, se ele não contar com o entendimento e envolvimento de quem irá usa-lo, não dará certo.

Também os alunos precisam ter sua participação no processo de planejamento e na avaliação dos projetos a serem desenvolvidos com eles. Como projeto entenda-se qualquer conjunto de atividades, envolvendo o uso de computadores, outras tecnologias ou não.

A avaliação conjunta desenvolve o senso crítico e aumenta os envolvimentos seguintes. Avaliar significa dialogar. Falar e escutar. Anotar. Analisar.

O diálogo entre todas as categorias de aprendentes é imprescindível. Para haver diálogo não basta que dois grupos falem. É necessário que cada um escute o outro e que cada fala considere as anteriores. As relações precisam ser transparentes, honestas e maduras. O próprio processo de diálogo já é um exercício de cidadania e a busca do diálogo consiste num desenvolver da comunidade.


C o n c l u s ã o

Quando se fala em melhoria da escola, é necessário que se caracterize bem o tipo de tratamento que será dado ao aluno.

Quando se busca o sucesso se prejudica a autonomia. Para formar um cidadão autônomo é preciso que a escola não esteja preocupada com a quantidade de conteúdos curriculares que será passada ao aluno e que se preocupe com o desenvolvimento de suas habilidades.

No processo de formação do ser humano, devemos nos preocupar com seu senso de justiça e com o respeito que ele terá por toda a humanidade. Devemos ainda desenvolver-lhe a sensibilidade para percepção das relações de poder da sociedade, para que ele não seja explorado nem explorador.

Também os professores e toda a comunidade escolar precisam aprender a trabalhar dessa nova maneira. Nenhum dos segmentos da escola poderá seguir receitas. Todos devem participar de processos de: planejamento / aplicação / avaliação.

Novas tecnologias e metodologias são ferramentas que tiram as pessoas da rotina e as levam a pensar, servindo como fator decisivo no processo de transformação. Novas tecnologias ou metodologias não bastam por si só.

Não se pode trabalhar com respostas prontas, nem para o aluno, nem para o professor, nem para a escola. O processo de busca do conhecimento e de busca do modelo de escola é o caminho.


Bibliografia:

1. Gilberto Dimenstein, Aprendiz do futuro, São Paulo: Ed. Ática, 1997

2. J.A. Valente e outros, O professor no ambiente LOGO, formação e atuação, Campinas: UNICAMP/NIEd, 1996

3. J.A.Valente, Liberando a Mente (Comp. na Educ. Especial), Campinas: UNICAMP, 1991

4. J.A.Valente e outros, Computadores e Conhecimento, Campinas: UNICAMP, 1993

5. LEC – UFRGS, Anais do VIICongresso Internacional LOGO e I de Informática Educativa -, em Porto Alegre (RS), UFRGS, 1995

6. Maria Cândida de Moraes,O paradigma educacional emergente, Ed. Papirus, 1998

7. Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia, São Paulo: Paz e Terra, 1997

8. Seymour Papert, Logo Computadores e Educação, São Paulo: Brasilense, 1980/85

9. Seymour Papert, A máquina das crianças, Artes Médicas, 1994/94

10. Rubem Alves, Estórias para quem gosta de ensinar, São Paulo: Ars Poetica, 1995


Anexo:

Depoimento de uma aluna, relatado pela mãe:

"Algumas iniciativas da escola, hoje, buscam o sucesso." Gostaria apenas de frisar este trecho, porque minha filha o ano passado concluiu o ensino médio e um certo dia, frustrada e decepcionada, chegou em casa dizendo: - Mãe as coordenadoras da escola não pensam na gente, estou estudando muito, cansada, stressada, e parece que elas interessam apenas na minha aprovação no vestibular. Por que? Será o Ibope.

"Telma Barros" trb@etfgo.br Goiânia (GO)