Propaganda de Cigarro Faz Mal?


Nesta pagina estaremos colocando material relativo ao tema supra.

A questão não é se cigarros fazem mal -- isto é de início concedido. A questão é se a propaganda de um produto nocivo a saúde é também nociva e deve ser proibida ou controlada por lei.

Também não se discute, por exemplo, se propaganda de produtos que em si são ilegais (como drogas) deva ser proibida ou controlada -- isso parece claro. O que se discute é se propaganda de um produto cuja fabricação e comercialização é totalmente legal no país, e que é vendido legalmente em qualquer boteco ou mesmo nas ruas, por ambulantes, deve ser proibida.

Se se concluir que a propaganda de cigarros deva ser proibida ou controlada, o que dizer do merchandising? Devem os personagens em filmes e novelas ser impedidos de aparecer fumando?

A discussão da propaganda de cigarros vai, naturalmente, desembocar na discussão da propaganda (e no merchandising) de bebidas alcoólicas e de outros produtos que podem ser nocivos a saude ou causar conseqüências deletérias em determinados tipos de circunstâncias (no trânsito, por exemplo).

Por fim, a discussão poderá eventualmente alcançar a discussão da propaganda, em sim, até mesmo de produtos reconhecidos como neutros ou mesmo bons. Não resta dúvida de que há os que a questionam.

Vou transcrever, inicialmente, o URL de um artigo interessante sobre o assunto, e alguns links citados nesse artigo.

Contribuições são bem-vindas e devem ser dirigidas para eduardo@chaves.com.br. Nas mensagens do Grupo de Discussão EdutTec já há algumas que discutem o assunto, que serão transcritas adiante.


Há um interessante artigo de Carlos Orsi Martinho (cmartin@agestado.com.br), de 28/5/99, que consta da Agestado (de livre acesso), e que tem como título a frase que usamos para esta página: "Propaganda de Cigarro Faz Mal?". O artigo contem links para varios sites que discutem a questao, e que serao apresentados a seguir. O URL do artigo e: http://www.agestado.com.br/mvirtual/orsi/orsi37.htm

Links citados no artigo:

NOTA:

Carlos Orsi Martinho, depois de consultar sua editoria, autorizou a transcrição do artigo na íntegra, pelo que :

Propaganda de cigarro faz mal?

Não parece haver mais disputa em torno do fato de que fumar faz mal. Mas, propaganda de cigarro faz mal? Uma mensagem exibida na TV ou no cinema pode levar uma pessoa a fumar, ou apenas faz com que um fumante mude de marca? E a pessoa que se deixa convencer por um anúncio e passa a consumir cigarros decide fumar ou é induzida a fumar?

Esse debate é menos bizantino do que parece - a publicidade de cigarros e tabaco já sofre sérias restrições em várias partes do mundo. Nos EUA, fumantes vêm ganhando, nos últimos anos, ações na justiça, exigindo reparações da indústria por danos causados pelo fumo. O que pode parecer estranho... afinal, ninguém obrigou a "vítima" a fumar. Certo?

Bem, a discussão entre poder da propaganda e livre arbítrio é antiga, e não se restringe à arena do tabagismo. Outros domínios onde o embate ocorre há décadas (se não há séculos) são os da guerra, e da política. Mas o hábito de fumar já durou mais que dois regimes políticos que pareciam levar a propaganda bem a sério - a União Soviética e a Alemanha nazista.

Isso sem falar no fato de que a indústria tabagista já produziu algumas verdadeiras obras-primas, ao longo do processo de glamurização do fumo. E, claro, se não foi o cigarro que inventou o "merchandising" - a propaganda disfarçada como parte de um outro produto: um filme, por exemplo - foi ele que deu a esse tipo de divulgação o "status" de arte. Para citar apenas um caso, há a névoa prateada que emanava da piteira de Rita Hayworth, em mais de um clássico em preto-e-branco...

Mas, afinal, a propaganda é nociva, ou não? Nos EUA, a dúvida já virou questão política, cada "partido" apresentando seu caso na Internet. A Forces - uma ONG que defende os direitos dos fumantes - insiste em dizer que a propaganda apenas leva os já fumantes a mudar de marca; já o site da Youth Partnership for Health cita um especialista que diz que "a propaganda afeta as crianças muito antes delas começarem a fumar". A teoria é de que a exposição ao marketing do fumo "baixa resistências", predispondo os jovens ao fumo, no futuro.

Há quem leve essa teoria ainda mais longe. O grupo Smoke Busters, por exemplo, preparou até uma lista de filmes que mostram "atitudes positivas" frente ao fumo (entre eles, "Homens de Preto" e "Máquina Mortífera"), e pede ajuda de advogados, contadores e outros voluntários para ajudar a acabar com essa prática.

Mas a atitude mais reflexiva frente à propaganda de cigarros vem de um site - com o nome irônico de "Truth in advertising" (Verdade na propaganda) - dedicado a exibir anúncios de cigarro produzidos nos anos 40 e 50: "Era uma vez (...) quando a fumaça do tabaco prometia mais do que velhas doenças, como enfisema e câncer de pulmão. Prometia sofisticação, sex-appeal, e até longevidade". Bem, a fumaça pode ter parado de prometer isso tudo. Já os anúncios...

Links:

Carlos Orsi, 27 anos, é jornalista e escritor. Trabalha com Internet desde 1996, quando foi contratado pela Agência Estado. Desde 1997, responde também pela seção 'Ano 2000'.


Mensagem de Ana Paula Brandino na lista EduTec, com data de 7/6/99, sobre o assunto.

From: "Ana Paula Brandino"  brandino@sp.senac.br
To: edutec@edutecnet.com.br
Subject: Re: [EDUTEC] Propaganda de Cigarro Faz Mal?
Sent: Monday, June 07, 1999 11:55 AM

Propaganda de cigarro faz mal sim! A de sabão em pó também! Infelizmente nossos publicitários estão isentos do codigo de ética. Os criativos que elaboram as propagandas ganham, e muito bem, para fazê-lo. A questão é: Deveriam ele passar fome? Não seria de cada empresa o dever de carregar o código de ética?

Acredito que tenho uma solução mais simples, porém não tão eficaz. As propagandas poderiam ser veiculadas após um determinado horário (noturno) e totalmente vetadas pela legislação local a veiculação em outdoor, busdoor, revistas e jornais. Assim o público estaria restrito e os já fumantes teriam menos incentivo.

Quanto a minha colocação "... A de sabão em pó também !", tem um bom argumento para a mesma. Cursei até o terceiro ano de Comunicação Social com Ênfase em Publicidade e Propaganda, e sei bem os fundamentos para a elaboração de uma campanha. Todos os fundamentos de psicologia e todas as aulas de semiótica. As imagens que saem da tv são como pequenas sementes plantadas no subconsciente de cada individuo, seja ele rico ou pobre ... no caso temos a população de baixa renda gastando seu suado dinheiro em cinzas prejudiciais à saúde dele e dos que estão em volta.

Gostaria que me mandassem comentários ...

Ana Paula Brandino (quase publicitária, 20 anos)


Mensagem de Teresinha Furian na lista EduTec, com data de 7/6/99, sobre o assunto.

From: "Teresinha Furian" upteresinha@cpqd.com.br
To: edutec@edutecnet.com.br
Subject: Propaganda de cigarro faz mal?
Sent: Monday, June 07, 1999 4:22 PM

Ana Paula e demais companheiros do grupo:

Nao so propagandas de cigarros e sabao em po fazem mal aos nossos olhos e ouvidos, como também outras mercadorias que hoje estão elevadas ah categoria de novos deuses dos lares e empresas. As mercadorias ganham poderes desconhecidos, tal eh a seducao com que sao apresentadas aos nossos olhos e ao desejo das pessoas, aureolada por uma propaganda sutil e envolvente, despertando muitas vezes necessidades ilusorias e superfluas, num consumismo insaciavel e inconsequente de alguns, numa escala de desperdicio que impede o acesso e a producao de bens essenciais a muitos que vivem em pobreza extrema.

A economia de mercado está ganhando status de religiao, estabelecendo regras e valores que favorecem os mais poderosos e bem dotados, numa competicao desleal, excluindo os que estao impossibilitados de se adaptarem a esse sistema, negando a esses excluidos nao so os direitos de cidadania mas tambem o direito natural de pessoa humana. Que deveres a sociedade pode cobrar de alguem a quem nao lhe eh dado sequer o direito de cidadao?