Tecnologia e Educação na Mídia


O tema "Tecnologia e Educação", em suas várias vertentes, tem recebido bastante atenção na mídia especializada e não especializada.

Aqui estaremos listando artigos que tenham aparecido em jornais e revistas, ou comentando programas que tenham aparecido na televisão ou sido transmitidos pelo rádio, que, de uma forma ou de outra, tenham tido como tema a Tecnologia e a Educação. Quando os artigos aparecerem nas versões online dos meios de comunicação, faremos um link para eles.

Tem havido vários filmes interessantes que têm usado como tema a tecnologia, em especial a Internet. Eventualmente estaremos comentando esses filmes aqui também.

Se você souber de algum artigo, programa de televisão, programa de rádio, ou filme que tenha Tecnologia e Educação como tema, por favor, escreva para:

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Entrevista de Domenico de Masi no Conexão de Roberto d'Ávila na TVE em 8/7/99 [Transcrição do texto completo]


Entrevista de Domenico de Masi no Roda Viva da  TV Cultura em 21/6/99 [Transcrição do texto completo]


Debate entre Eduardo Chaves e Valdemar Setzer na TV Cultura em 28/5/99 [Transcrição do texto completo]


Jornal O Dia, do Rio de Janeiro, de 22/1/99

Matéria original em: http://www.uol.com.br/odia/geral/ge220114.htm sobre o Programa de Educação Continuada via Internet do Rev. Wilson Azevedo, um dos membros mais ativos do Grupo de Discussão EduTec:

Caiu na grande rede, é crente: Seminário virtual presbiteriano auxilia pastores e leigos nos estudos da Bíblia Sagrada

Foi-se o tempo em que Teologia era disciplina para se estudar confinado num seminário ou mosteiro. Agora, já é possível aprender as Escrituras Sagradas em qualquer parte do mundo e a qualquer hora do dia ou da noite. História da Igreja, Teologia do Novo e Antigo Testamentos, História do Pensamento Cristão, entre outras matérias, podem ser aprendidas virtualmente com a mesma eficiência de um seminário tradicional, através do site do Seminário Teológico Presbiteriano do Rio de Janeiro (www.stprj.br/ cec/pecnet/).

 O curso, criado em março do ano passado, já tem cerca de 300 alunos e em nada deixa a dever aos demais seminários. “Percebi a riqueza que a Internet tinha em proporcionar interatividade entre os alunos”, filosofa o reverendo Wilson Azevedo, 39 anos, autor do projeto e criador do site da Igreja Presbiteriana do Brasil na Internet, a primeira igreja evangélica a entrar na grande rede. O PECNet (Programa de Educação Continuada via Internet), como foi batizado, é apenas um programa do Seminário Teológico Presbiteriano do Rio, mas faz o maior sucesso. Prova disso é a quantidade de alunos: são 300 na grande rede, contra 170 nas salas de aula comuns.

As aulas do curso de teologia virtual são ministradas por nove pastores de diferentes pontos do País: quatro são do Rio, dois, de Campinas, dois, de Recife e um está em Boston, Estados Unidos. Os alunos podem inscrever-se em quantos módulos (matérias) quiser. Quem cursar um mínimo de cinco disciplinas com temas afins recebe, no fim do curso, um certificado. As inscrições são feitas via Internet, e cada módulo custa R$ 35. Confirmado o pagamento, o aluno é colocado numa sala de aula virtual e recebe um endereço eletrônico com acesso reservado. Nele, são encontrados o programa da disciplina, um roteiro do curso e textos que irão auxiliar no aprendizado.

Mas que ninguém pense em matar aulas. Cada aluno tem que dedicar no mínimo 30 horas mensais nas salas e fazer testes e trabalhos. Cada disciplina é estudada por um período de cerca de 30 dias, e os professores controlam a presença através da participação do aluno via correio eletrônico. O curso de Teologia Virtual é apenas extensão para pastores e leigos, mas foi apontado pelo Banco Mundial como exemplo de ensinoa distância. “Já estamos pensando num curso de graduação”, adianta o reverendo.

Curso com administração virtual

O Programa de Educação Continuada via Internet foi totalmente criado com as teclas do computador. “Nos encontramos apenas cinco vezes”, lembra Wilson. O site, bem como o convite aos professores para lecionar no seminário virtual, foi feito via correio eletrônico. É desse modo, também, que o PECNet é administrado. “Posso dar mais atenção ao aluno pela Internet do que poderia numa sala de aula comum”, explica Wilson.

 O PECNet começou a ser desenvolvido pouco tempo depois de criada a Teonet, comunidades virtuais de evangélicos, em agosto de 1997. Dividida em classes de jovens, missionários, pastores e interessados em Teologia, a Teonet revelou a necessidade de se criar um curso por correspondência. “Vi um interesse muito grande nos temas sobre Teologia por parte das pessoas que acessavam a Teonet”, conta Wilson Azevedo, que percebia uma circulação de 40 a 50 mensagens por dia no site evangélico. Quando o reverendo propôs o PECNet,a resposta foi imediata. Bastou montar a página e pronto: os alunos caíram na grande rede.


Entrevista de Domenico De Masi no Roda Viva da TV CUltura de 4/1/99 [Resumo]


O Estado de São Paulo de 10/11/98

Matéria original em http://www.estado.com.br/edicao/pano/98/11/09/ger516.html. Mais uma matéria sobre o Programa de Educação Continuada via Internet do Rev. Wilson Azevedo, do Grupo de Discussão EduTec:

Curso via Internet é opção de aprimoramento: A cada dia centenas de novos alunos, especialmente de nível superior, se matriculam na rede

ROBERTA JANSEN

RIO - Se até há pouco tempo os cursos disponíveis na Internet eram restritos à área da informática, atualmente o usuário da rede tem um campo de opções vastíssimo. Cursos de gramática, teologia, latim e até mesmo de mergulho são oferecidos na Internet por instituições de ensino conceituadas no País e vêm atraindo, a cada dia, centenas de novos alunos, principalmente os que já têm nível superior e buscam aprimorar seus conhecimentos.

É o caso dos cursos de teologia oferecidos pelo Seminário Teológico Presbiteriano do Rio de Janeiro, apontado por especialistas do Banco Mundial como um exemplo de liderança em ensino a distância via Internet. Temas como Teologias do Antigo e do Novo Testamento, História da Igreja, Introdução-Geral à Bíblia e Ciências da Religião fazem parte do conteúdo dos cursos, que podem ser feitos por leigos e não se destina à formação de pastores. Lançado em março deste ano, o curso já conta com mais de 200 alunos. "A clientela é de alta qualidade, formada por pessoas que estão exclusivamente em busca de conhecimento", atesta o reverendo Wilson Azevedo, um dos coordenadores do projeto, lembrando que cerca da metade dos alunos faz pós-graduação.

Os cursos têm como base leituras supervisionadas de livros e textos indicados pelos professores, que debatem com os alunos e tiram dúvidas sobre os tópicos por meio de e-mail. "Tentamos, ao máximo, transportar o ambiente de uma sala de aula para o espaço virtual", diz Azevedo. Os cursos contam com professores de diversas partes do País e oferecem um certificado de conclusão. Cada disciplina é estudada durante um mês e os alunos podem optar por um programa fechado ou por um de módulos avulsos. O custo mensal é de R$ 30. "O rendimento dos alunos tende a ser maior do que nos cursos presenciais." Outro bom exemplo são os cursos de português e inglês oferecidos gratuitamente via Internet pela Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro. Desenvolvidos inicialmente em caráter experimental pela Gerência de Produtos Interativos da Universidade, os cursos acabaram tendo grande demanda. "A procura surpreendeu muito", afirmou a coordenadora do projeto, Roberta Nunes Fransosi. O curso de português, lançado há oito meses, já conta com 4 mil alunos, e o de inglês, disponível desde junho, tem 3 mil inscritos. Os cursos contam com testes de avaliação que são corrigidos em tempo real.

O curso de português apresenta as principais dúvidas da língua, como crase, pontuação, acentuação, concordância, divididas em oito módulos básicos. "A maioria dos alunos tem nível superior completo", atesta Roberta, lembrando que a procura não é só por parte de pessoas que vivem no Brasil. "Muita gente do exterior nos procura." O curso de inglês apresenta noções básicas da língua e é voltado, principalmente, a pessoas que vão viajar.

A Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ) oferece , ainda em caráter experimental, 75 cursos via Internet, entre eles de física, álgebra, técnicas de redação e mergulho, com textos teóricos. Os alunos já são mais de mil.


Editorial de O Estado de São Paulo de 27/2/99

A educação a distancia oferece amplas possibilidades de democratização para o país

A introdução de inovações tecnológicas na vida social sempre provoca polêmicas. Isso acontece, agora, quando se fala na utilização do hipertexto, da Internet, da Web ou do CD-ROM como instrumentos de ensino a distancia.

A tradição pedagógica do mundo ocidental tende a ver a escola como o local específico e privilegiado para a transmissão do conhecimento.

Nasce daí a resistencia às formas de ensino estranhas à escola. A questã é saber até que ponto giz, lousa e comunicação entre presentes continuam na base da educação moderna, confrontada com as novas tecnologias de informação, que permitem a interação, em tempo real, por meio de vídeo, áudio e texto.

O Estado noticiou, há poucos dias, a criação de um consórcio de sete universidades públicas do Centro-Oeste para a produção de cursos a distância de extensão via Internet: a Universidade Virtual do Centro-Oeste (Univirco).

Para atender às determinacoes do Plano Nacional de Educação, que tramita no Congresso, nos próximos dez anos mais de 2 milhões de professores deverão completar seus estudos superiores.

Nesse campo, o país precisa, rapidamente, suprir graves e prolongadas carências. Tais desafios, num contexto de escassez de recursos, devem ser enfrentados com criatividade. 

Um balanço dos prós e contras do ensino a distância não pode desconsiderar que, em termos de democratização do acesso à universidade e de multiplicação das possibilidades de aprendizagem, o recurso às novas tecnologias representa, sem dúvida, uma evolução significativa e irreversível.

A maior crítica feita à didática entre ausentes - por exemplo, aos cursos por correspondência - consiste na falta de interação entre o professor e os alunos.

Trata-se de postura superada. Com as redes de computadores e a videoconferência é possível desenvolver cursos interativos "on-line" com estímulos, velocidade e recursos didáticos impensáveis nas estruturas tradicionais.

O problema maior, atualmente, reside na falta de recursos humanos capazes de oferecer suporte à produção de material didático inovador, e docentes com vocação "multimídia".

E mais: vinculada a padrões antiquados de aferição do mérito acadêmico e da produção científica, a universidade ainda não valoriza adequadamente, para a progressão na carreira, as iniciativas nesse setor.

Outro problema serio é o descompasso de afinidades com a informática registrado entre as gerações mais jovens de estudantes e os docentes mais antigos.

Enquanto os primeiros chegam às universidades geralmente familiarizados com o mundo tecnológico, os segundos, em número expressivo, têm dificuldades em lidar com os instrumentos da informática.

Os cursos virtuais devem encontrar formas de superação desse obstáculo.

A eficiência dos cursos via Internet é discutivel. Porém, estudos comparativos apontam, em certas áreas, um melhor aproveitamento nos cursos virtuais do que nos convencionais.

De qualquer modo, o acompanhamento do desempenho dos alunos, que pode facilmente ser feito a distância, e a adoção de critérios rigorosos de avaliação do aproveitamento são essenciais para o êxito dessas iniciativas.

O Brasil possui número reduzido de universitários. A escola virtual pode representar alternativa realista de superação dessa deficiência. Resta esperar que o corporativismo dos professores, a "nomenklatura" das universidades e os preconceitos diante das conquistas tecnológicas não levantem barreiras burocráticas às estratégias educacionais inovadoras.

[Contribuição do Rev. Wilson Azevedo, Rev.Wilson@stprj.br, ao Grupo de Discussão EduTec]


Caderno de Informática de O Estado de São Paulo, 8/2/99

Internet entra na escola para animar a aula

Projetos para este ano letivo prevêem uso da rede, tanto em pesquisas como na comunicação

A Internet promete ser a grande aliada dos estudantes - tanto da rede particular como da pública - neste ano letivo que está começando. A novidade é que essa rede mundial começa a ser usada não só como instrumento de pesquisa pedagógica, mas também como meio de comunicação e de troca de experiências entre alunos de escolas, cidades e até Estados diferentes. Pelo menos é o que prevêem alguns projetos programados para este ano, por instituições como o Colégio Aquarius, de Cotia (SP).

"Estamos integrando a informática às nossas aulas de ciências, português, matemática, história e ao próprio projeto pedagógico da escola", afirma a diretora Fernanda Cristina Gaspar Salomão. Com um laboratório equipado com 22 micros PC - todos multimídia - ligados em rede, o Colégio Aquarius está adotando o conceito de Escola 24 Horas, criado pela Trend Tecnologia Educacional, do Rio, em parceria com o provedor de acesso Zaz.

"A idéia é estender a presença da escola à casa do aluno", explica Severino Felix da Silva, presidente da Trend. "Ao mesmo tempo, queremos envolver mais os pais na vida da escola", acrescenta. Para isso, o projeto da Trend aposta na Internet - daí a parceria com um provedor de acesso, que terá uma linha privada de comun icação direta, em tempo integral, com a escola.

Os planos da Trend também incluem a venda, em condições especiais, de micros PC (com modem e acesso à Web) para os alunos das escolas conveniadas - todas particulares e localizadas em São Paulo, Rio, Salvador, Recife e Belém. Dessa forma, os estudantes, bem como seus pais, passarão a dispor de um canal de comunicação direta com a escola - que poderá, por exemplo, enviar circulares, avisos e outras informações por e-mail.

Rede estadual - O uso da Internet e de outros recursos tecnológicos voltados para educação a distância começou a virar realidade no Brasil em fevereiro do ano passado, com o Decreto 2494 do Ministério da Educação, que regulamenta o artigo 80 da nova Lei de Diretrizes e Bases. "Esse decreto autoriza a formação a distância", resume Gleice Cataldo, diretora de Tecnologia na Educação do Grupo (associação que reúne 53 escolas particulares de São Paulo). Ela revela que as escolas do Grupo estão estudando a criação de comunidades de aprendizado virtual, com base nas novas tecnologias.

A rede pública de ensino do Estado de São Paulo também pretende intensificar, neste ano letivo (as aulas começam hoje em suas 6 mil escolas), o uso da Internet como recurso pedagógico. No ano passado, os alunos da rede estadual chegaram a desenvolver alguns projetos - como o Plugue-se na Copa e Viagem ao Sistema Solar -, cujos resultados chegaram a ser colocados no site da Secretaria na Web (endereço http://www.educacao.sp.gov.br).

Novos projetos estão previstos para este ano, revela o secretário-adjunto Hubert Alqueres, responsável pelo projeto de informática educacional do Estado. "Estamos estimulando as escolas a criarem suas próprias páginas na Web, onde poderão fazer sua apresentação e divulgar resultados dos projetos", afirma.

Outra novidade é o uso de recursos tecnológicos de educação a distância no treinamento dos professores da rede estadual de ensino. Alqueres adianta que um projeto piloto nesse sentido começará em março, com 500 professores (do total de 200 mil da rede). "A Internet é um meio barato e que permite atingir maior número de pessoas, o que é complicado em uma rede tão grande", observa.

[Contribuição de Eduardo Chaves para o grupo EduTec em 14/2/99]


Ainda Domenico de Masi

Um dia desses falei da entrevista de Domenico de Masi na Cultura [vide abaixo]. Hoje ganhei o livro que ele veio divulgar no Brasil, A Emoção e a Regra: Os Grupos Criativos na Europa 1850-1950 (Editora da UnB e José Olympio Editora, 1999, 2a.edição). O livro foi originalmente escrito em 1989. Ele é o organizador e contribuidor de vários capítulos, mas há outros autores.

Advirto que o livro não discorre sobre os assuntos que foram objetos de minha mensagem anterior, mas, sim, sobre o problema da criatividade (que é outro foco de interesse de De Masi).

[Contribuição de Eduardo Chaves para o EduTec, em 10/2/99]


Domenico de Masi na TV Cultura 4/1/99 e 11/1/99

No dia 4/1/99 o programa Roda Viva da TV Cultura mostrou uma fascinante entrevista gravada com Domenico de Masi, sociólogo italiano. A entrevista foi um sucesso tão grande que a repetiram já na semana seguinte, dia 11. Segundo me disse a TV Cultura eles não tinham a menor condição de atender a todas as demandas de cópias da fita (incialmente a 49 reais, hoje a 35), de modo que terceirizaram a produção de fitas para uma empresa, que também não está conseguindo atender à demanda.

O livro do entrevistado (A Emoção e a Regra, vide acima), que ele havia vindo lançar aqui no Brasil, sumiu das livrarias, esgotado face à tamanha procura.

De Masi era socíólogo do trabalho e virou sociólogo do lazer. Esse fato apenas já dá uma idéia de suas teses. A mais fustigante é que esse desemprego que vemos ao nosso redor hoje é estrutural e só tende a aumentar -- na realidade, aumentar a tal ponto que a maior parte de nós ficará desempregado no século XXI. A razão é óbvia. No século passado, mais de 50% dos trabalhadores estava na agricultura. Hoje, nos países avançados, não há mais do que 2% dos trabalhadores na agricultura. O trabalho é feito por máquina. O pessoal que ficou desempregado no setor agrícola, por causa da automação, porém, veio para as cidades e encontrou emprego nas fábricas. Num determinado momento, o emprego industrial foi responsável pela ocupação de quase 50% da mão-de-obra (literalmente falando) economicamente ativa. A tendência, nos países desenvolvidos, é que, em pouco tempo, o percentual dos trabalhadores na indústria fique próximos dos 2% que hoje trabalham na agricultura. Boa parte dos desempregados da indústria ainda hoje acha emprego em escritórios, mas nem todos. O problema é que os escritórios estão se automatizando e enxugando a sua força de trabalho. Os serviços (bancos, por exemplo) estão se automatizando com uma rapidez incrível. O comércio começa a vender on-line, pela televisão. Numa situação de recessão econômica, até o turismo e o lazer passam a ser virtuais. O problema maior, segundo de Masi, é que agora não há perspectiva de que surja um novo setor que vá empregar esses desempregados, porque os novos setores que surgem todos fazem uso intenso da tecnologia.

"Quoi faire?" Segundo de Masi, acostumar-se com a idéia de que o trabalho não será, nem poderá ser, daqui para diante, sinônimo de fonte de renda para sobrevivência -- se o for, a maior de parte de nós tenderá a morrer, se não desempregado, nas mãos das revoltas dos desempregados.

De Masi não propõe um programa de renda mínima, mas nos desafia a encontrar uma solução criativa e realista para o problema, em vez de ficar ingenuamente imaginando que um novo plano econômico (ou um novo partido no governo) irá conseguir reativar a economia e acabar definitivamente com o desemprego.

Na área educacional, de Masi menciona que gastamos, CADA VEZ MAIS tempo, energia e dinheiro preparando as pessoas para algo que elas vão fazer CADA VEZ MENOS: trabalhar. Por isso ele deixou de ser sociólogo do trabalho e passou a ser sociólogo do lazer.

Estou resumindo uma entrevista de duas horas, e resumos são sempre inadequados. Além do mais, cada um "pesca" da entrevista o que mais chama a sua atenção (em função de seus interesses). Todos deviam ver a entrevista. A fita que, como já disse, custa 35 reais, pode ser obtida através do Vídeo Cultura, telefone (0800) 12-6122

Só para dar um exemplo mencionado por de Masi. Ele disse que se choca, quando vem ao Brasil, de ver jovens (alguns adolescentes) trancados dentro de um elevador apenas para fazer algo que todos nós sabemos fazer por nós mesmos: apertar um botão. Emprego totalmente inútil, e (naturalmente) mal pago. Se o ascensorista custasse ao condomínio mais, eles o substituiriam por um elevador totalmente automatizado. Como custa o salário mínimo (imaginamos), pagam. Segundo de Masi, sairíamos todos ganhando se o condomínio desse os 130 reais para o ascensorista ir estudar, ou mesmo ir se divertir. Mesmo nesta última hipótese ele sairia ganharia em muitos aspectos: deixaria de ficar trancado num cubículo de 1,20 por 1,20 m.; poderia ficar ao ar livre, fazendo algo de que gosta, etc.

[Contribuição de Eduardo Chaves para o EduTec, em 5/2/99]