Resenhas


Neste site estaremos colocando resenhas de livros de interesse para os profissionais envolvidos com Tecnologia e Educação.

Novos livros, revistas e artigos aparecem todos os dias e a quantidade de materiais é tão grande que precisamos de ajuda, na forma de análises e avaliações, para dirigir a nossa leitura. Nesta seção incluiremos, portanto, análises e avaliações de novos livros, revistas e artigos que estão sendo lançados no mercado.

Todos os membros do EduTec e todos os visitantes a este site estão convidados a sugerir títulos para resenha e a submeter suas próprias resenhas. Se você está estudando e fez uma resenha de um livro relevante para a área de Tecnologia e Educação, submeta-a, que a incluiremos aqui.

Poderá haver mais de uma resenha de um mesmo livro. A demarcação dos livros aceitáveis para resenha será ampla e flexível. E o formato da resenha também será bastante livre -- podendo ir desde uma micro-resenha até um artigo-resenha.

Se você tem interesse em submeter uma resenha, encaminhe-a para webmaster@edutec.net.


Livros que você pode comprar na Amazon.Com. Se estiver interessado num deles, basta clicar no título ou na figura da capa aqui. 

The Gutenberg Elegies : The Fate of Reading in an Electronic Age
by Sven P. Birkerts (click on the title or the cover to buy)

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Availability: This title usually ships within 2-3 days.
Paperback (November 1995)
Fawcett Books; ISBN: 0449910091 ; Dimensions (in inches): 0.63 x 7.96 x 5.18
Amazon.com Sales Rank: 17,522
Avg. Customer Review: 4.5 out of 5 stars
Number of Reviews: 6

The Electronic Word: Democracy, Technology, and the Arts
by Richard A. Lanham (click on the title or the cover to buy)

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Availability: This title usually ships within 2-3 days.
Paperback Reissue edition (February 1995)
Univ of Chicago Pr (Trd); ISBN: 0226468852 ; Dimensions (in inches): 0.70 x 9.01 x 6.03
Amazon.com Sales Rank: 58,624

Marshall McLuhan : Escape into Understanding : A Biography
by W. Terrence Gordon, Marshall McLuhan (click on the title or the cover to buy)

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List Price: $35.00
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Availability: This title usually ships within 2-3 days.
Hardcover - 464 pages (October 1997)
Basic Books; ISBN: 0465005497 ; Dimensions (in inches): 1.53 x 9.56 x 6.49
Amazon.com Sales Rank: 63,691

Conscientious Objections : Stirring Up Trouble About Language, Technology, and Education
by Neil Postman (click on the title or the cover to buy)

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List Price: $11.00
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Availability: Usually ships within 24 hours.
Paperback - 201 pages 1st vintag edition (February 1992)
Vintage Books; ISBN: 067973421X ; Dimensions (in inches): 0.67 x 8.00 x 5.21
Amazon.com Sales Rank: 53,096

Technopoly : The Surrender of Culture to Technology
by Neil Postman (click on the title or the cover to buy)

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List Price: $12.00
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Availability: Usually ships within 24 hours.
Paperback - 222 pages Rep edition (April 1993)
Vintage Books; ISBN: 0679745408 ; Dimensions (in inches): 0.70 x 8.01 x 5.25
Amazon.com Sales Rank: 9,286
Avg. Customer Review: 3.5 out of 5 stars
Number of Reviews: 11

The Control Revolution : Technological and Economic Origins of the Information Society
by James R. Beniger (click on the title to buy)

Our Price: $19.50
Availability: This title usually ships within 2-3 days.
Paperback Reprint edition (March 1989)
Harvard Univ Pr; ISBN: 0674169867 ; Dimensions (in inches): 1.12 x 9.22 x 6.04
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Avg. Customer Review: 4 out of 5 stars
Number of Reviews: 1

The Writing Space : The Computer, Hypertext and the History of Writing
by Jay David Bolter (click on the title to buy)

Our Price: $34.50
Availability: This title usually ships within 2-3 days.
Paperback - 258 pages (January 1991)
Lawrence Erlbaum Assoc; ISBN: 0805804285 ; Dimensions (in inches): 0.71 x 9.01 x 6.03
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Of Two Minds : Hypertext Pedagogy and Poetics
by Michael Joyce (click on the title to buy)

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Paperback - 288 pages (August 1996)
Univ of Michigan Pr; ISBN: 0472065785 ; Dimensions (in inches): 0.92 x 9.24 x 5.56
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Micro-Resenha preparada por Eduardo Chaves (eduardo@chaves.com.br) do livro:

Krishan Kumar, Da Sociedade Pós-Industrial à Pós-Moderna: Novas Teorias sobre o Mundo Contemporâneo (Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1997-tradução do inglês de Ruy Jungmann).

Um bom livro, que discute três conjuntos de teorias sobre as quais muito se ouve hoje em dia:

Recomendo a leitura a quem está interessado em discussões da sociedade atual. O autor escreve de maneira muito clara sobre temas complexos. Diria mesmo que o autor escreve de maneira cartesiana (isto é, moderna), até mesmo quando discute o pós-modernismo, que pretende ser anti-cartesiano...

10/4/99
Eduardo Chaves
eduardo@chaves.com.br


Resenha preparada por Antonio Carlos Rodrigues de Moraes (acromo@cps.sol.com.br), do grupo de Discussão EduTec, do livro:

Eduardo O C Chaves, Tecnologia e Educação: O Futuro da Escola na Sociedade da Informação (MEC/PROINFO, Brasília / Mindware Editora. Campinas, 1999 - no prelo)

[NOTA de Eduardo Chaves: Agradeço ao Antonio Carlos esta competente análise crítica de meu livro. Estou analisando com cuidado suas ponderações e eventualmente colocarei aqui no site minha resposta às suas colocações. Certamente divirjo de algumas delas, mas acho que a discussão que vão propiciar é extremamente benéfica.]

Muito mais do que o simples uso de novos equipamentos pedagógicos, o livro propõe-se a refletir sobre a realidade da escola dentro da chamada sociedade de informação. A pretensão é bastante ousada e radical: ao inquirir sobre a resistência ao uso de computadores no processo de ensino-aprendizagem, o autor discute o próprio papel da escola na nova realidade.

Com muita felicidade, justamente em função da radicalidade de seu questionamento, o livro consegue ultrapassar o simples manual de instruções sobre o uso da informática no ensino, sem cair no hermetismo das discussões puramente teóricas e no "informatês" petulante. Ao mesmo tempo em que convida o leitor a viajar num mundo de possibilidades ainda muito pouco exploradas, com produções ainda medíocres, leva-o a refletir sobre a revolução cultural detonada pelo uso do computador nos mais diferentes níveis das atividades humanas.

O "futuro da escola na sociedade da informação" é tematizado em dois níveis fundamentais de discussão:

1. Como a sociedade de informação constitui-se como revolucionária em relação à sociedade industrial e qual o papel da escola dentro desse novo modo de estruturação e concepção das relações sociais (o que chamarei de nível 1);

2. Qual o melhor uso das novas tecnologias na educação, para otimização de suas possibilidades (que designarei como nível 2).

NÍVEL 1

Em relação ao nível 1, tomo a liberdade de destacar os seguintes pontos de discussão:

A) O uso de computadores e robôs não se resume a uso de técnicas mais aperfeiçoadas, mas sim à inauguração de um novo modo de vida, de tal forma que se o computador deixasse de existir, provavelmente o mundo entraria em colapso (pg.9).

À medida que o uso dos computadores vai afetando todos os níveis das atividades econômicas, afeta cada vez mais profundamente as relações produtivas, até o ponto da completa extinção da classe trabalhadora, na visão de A. Schaff, com que o autor parece concordar (pg. 39). Isso ocorre porque o uso do computador e do robô traduz-se em redução da massa de trabalho humano, aumentando o tempo de lazer, segundo o ponto de vista de D. de Masi (rodapé da pag. 11).

Apesar de haver discutido amplamente a questão, alguns pontos, a meu ver, permanecem obscuros:

a) Não encontrei uma clara distinção, no texto, entre falar de redução de trabalho, resultando em aumento de tempo ocioso e de redução de postos de trabalho, resultando em aumento do desemprego/concentração de renda e de trabalho para quem não quer perder o "privilégio" de continuar trabalhando. Esse posicionamento é necessário. Pensar a redução do trabalho social como resultando ipso facto no aumento do tempo ocioso significa, a meu juízo, a suposição de uma sociedade sem classes e sem exploração do trabalho. Não creio que computadores e robôs tenham esse poder mágico. A sociedade pós industrial não resulta de uma revolução tão radical, na medida em que tenta (inutilmente, segundo me parece) conciliar a radicalidade de uma revolução tecnológica com estruturas arcaicas postas pela Revolução Industrial nas relações sociais de produção.

b) O resultado disso é o chamado "desemprego estrutural", discutido nos textos de Robert Kurz, que retoma, com clareza, a velha contradição apontada pela crítica marxista entre necessidade de racionalização de custos de produção e expansão da sociedade de consumo. O autor contesta parcialmente essa crítica, ao afirmar que o computador não apenas reduz empregos existentes, mas, também cria novos. Resta-nos, contudo, perguntar se o ritmo de criação de novos empregos equivale à redução dos postos de trabalho tradicionais. Creio que a tendência é, ao contrário, o distanciamento cada vez maior entre esses dois ritmos, mantidas as condições arcaicas das relações capitalistas de trabalho.

c) Até que ponto uma inovação tecnológica é suficientemente radical, se acontece sem colocar em cheque paradigmas pré-estabelecidos e consagrados tanto no pensamento científico, quanto na prática social? O que será, de fato, revolucionário na medicina do futuro: a possibilidade de "escanear" o corpo humano (pg. 10), analisando-o por partes, com a intermediação da máquina ou possibilidades novas de percepção extra sensorial (que a ciência de padrões positivistas ainda não admite) das interelações que de fato constituem o ser humano? Esse tipo de questionamento parece, ainda, fora de propósito. Também o foi, como bem observa P. Feyerabend ("Contra o Método"), a discussão, durante algum tempo, da possibilidade da atração dos corpos, porque a ciência sentia aí "cheiro" de astrologia (ação dos astros à distância)...

B) As tecnologias da informação, como quaisquer instrumentos, funcionam como extensões de nossa mente (pg.14). Extensões fantásticas, na medida em que ampliam a capacidade de nossa mente de acesso, armazenamento e transmissão das informações, muito melhor do que a retenção de informações na memória.

Realmente, o computador é uma biblioteca fantástica e, com certeza, substitui com imensa vantagem a nossa memória, quando entendida como repositório de informações. Mas, nossa memória não é apenas armazenagem de informações, mas, sobretudo, "metabolização" em uma visão coerente do mundo, de tudo o que nos chega à mente, de acordo com o que nos preocupa no momento. Nesse sentido, a aprendizagem não é apenas (e nem necessariamente) acúmulo de informações, mas sobretudo questionamento que incentiva essa "metabolização".

A meu ver, as pessoas não necessariamente "se educam enquanto trabalham, enquanto assistem à televisão ou ouvem rádio, enquanto realizam as atividades normais do dia-a-dia, enquanto viajam, enquanto se divertem" (pg. 41). Elas se informam, mas não necessariamente se educam. Posso fazer turismo a vida toda e não saber geografia, se não me preocupar em "metabolizar" a infinidade de informações numa visão coerente que me permita entender as razões dos vários arranjos do espaço geográfico. Essa capacidade de "metabolização" é própria da mente humana e não pode ser substituída por nenhuma tecnologia que lhe é externa e produto.

Das três revoluções consideradas na obra – a da fala, a da escrita e das telecomunicações – segundo me parece, a única que merece esse nome é a primeira, a única interna à mente. Nossa capacidade de conceituação (da qual resulta a fala) realmente nos distancia radicalmente dos animais e nos proporciona um imenso poder de "metabolização" e "distanciamento" que permitem a invenção da tecnologia, sempre "externa" a ela (mente), com a qual jamais se confunde, por mais aperfeiçoada que se torne, jamais deixa de ser objeto. As informações guardadas, seja numa cadernetinha manuscrita, na maior das bibliotecas, num cdrom, disquete ou hd, por mais preciosas que nos sejam, não são e nem fazem parte de nossa mente, apenas as que "ganham vida" em nosso processo de "metabolização". Talvez a confusão entre informação armazenada e saber operante decorra do fato de, habituados à vida numa sociedade de consumo, só nos percebamos vivos quando conseguimos apalpar ou se "beliscados" por algo exterior ao nosso eu.

C) Com muita propriedade o autor supera uma nada incomum visão um tanto mágica da relação entre educação e tecnologia. A aplicação do ensino à distância não corrige, por si mesma, os defeitos de uma escola obsoleta (pg. 41). A propósito, os vícios apontados no atual modelo educacional estão bem sintetizados (pg.42): processo desligado da vida do educando, massificador, dependente de prêmios e castigos, passividade do educando. Faço alguma restrição apenas ao último ítem (pg. 43): o contato presencial como "indispensável para a educação e necessariamente benéfico para o aluno". Reconheço que nem sempre é benéfico para o aluno, mas, é sempre indispensável para a educação. Mesmo admitindo a possibilidade (excepcional, na maioria das vezes) do auto didatismo, não há como negar que o ambiente escolar formador do pensamento crítico é necessário, inclusive para o auto didata, que disporia de melhores condições para se desenvolver. Ambiente escolar que implica contato presencial mas que, dou minha mão e cérebro à palmatória, enriquece-se cada vez mais com a comunicação virtual. O ambiente escolar não se constrói apenas com informações, mas fundamentalmente com posturas, trocas de idéias e humores. Toda tecnologia é bem vinda, desde que termine nessa troca.

Durante a história, a sociedade humana cria instituições sociais que se sucedem sem necessariamente se substituírem. Assim, por exemplo, a instituição família, a primeira e mais básica das instituições sociais: quando a convivência social evoluiu do núcleo familiar básico (sociedade gentílica) para a convivência de estranhos na cidade (civilização), a família não deixou de existir, passou simplesmente a se situar num conjunto social mais amplo, em que certas atribuições do pai de família passaram à competência do Estado. Mas, a sua essência, como instituição familiar, perdura no tempo. Da mesma forma, a instituição escolar adquire formas variadas desde os peripatéticos (ou antes); mas, há algo que nos aproxima dos peripatéticos: pessoas que se encontram para conversar sobre o sentido mais profundo das informações que nos chegam a todo momento. Ou seja, a necessidade de um passo além do senso comum. Minha mãe, precariamente alfabetizada, com certeza sabe que para confeccionar um bolo precisa acrescentar o fermento à massa. Para isso, não tem ela a necessidade de saber por que o fermento faz a massa crescer. É esse o conhecimento que ultrapassa o senso comum, próprio da instituição escolar, fundamental para o progresso do conhecimento que faz do homem um ser criativo.

Há muito que se profetiza o fim da família monogâmica. E novas famílias continuam se fazendo, se desfazendo e refazendo. Da mesma forma, há, a meu ver, algo na escola presencial que ainda vai sustentá-la por muito tempo, por mais defeitos que se lhe aponte: nosso processo de educação é global e envolvente – envolve não só razão, mas emoções e sonhos compartilhados.

O autor de alguma forma pressente essa realidade quando afirma que as "grandes amizades, e mesmo profundas paixões, têm acontecido e se desenvolvido através de contatos inicialmente virtuais". Gostaria de grifar o "inicialmente", pois as grandes amizades e as profundas paixões só se realizam, de fato, quando ultrapassam o virtual. Da mesma forma, a educação se constrói a partir de tudo o que o aluno carrega do exterior dos muros da escola, mas só se realiza, de fato, através das relações (todas) que constituem o ambiente escolar. Este é mais do que realidade física, é simbólico, assim como a "rua", a "praça pública" continuam sendo o espaço privilegiado das lutas sociais: apesar de todo o progresso da telecomunicação, o muro de Berlim teve que ser derrubado a marretadas!

D) Há sim, como afirma o autor, a necessidade de se repensar o papel da escola no processo da educação. Não podemos insistir com velhos métodos, diante de um mundo que se transforma. A direção apontada pelo autor sintetiza muito bem os princípios norteadores dessa necessária mudança metodológica: "Em vez de uma educação voltada para os quatro pilares do passado – conteúdos – ensino – professor, precisamos de uma educação voltada para outros quatro pilares: futuro – processos – aprendizagem – aluno" (pg. 46).

Realmente, muitos professores continuam parados num modelo "conteudista", em que a preocupação maior é com o que ele vai "dar" em suas aulas, com a carga de conteúdos, enquanto poucos, infelizmente, preocupam-se com o que, ao fim e ao cabo do processo, realmente fica de significativo na vida dos alunos. Este sai da escola, de fato, não com uma carga mensurável de conteúdos, mas incentivado a estudar pelo resto da vida ou a jogar cadernos, livros e o pouco de conteúdo que restou em sua cabeça na primeira lata de lixo ou gaveta desocupada. O aluno sai da escola levando, não conteúdos, mas uma postura determinada, formada (ou deformada) no ambiente escolar.

Mais uma vez, não consigo me eximir de fazer restrições. Quando o autor advoga a substituição do pilar do passado pelo do futuro, a idéia que me passa é que passado faz parte das coisas mortas e que futuro é vivo. Aqui, minha parcial discordância. Meu "ofício" de historiador desenvolve-se distante das salas frias dos IMLs. Existe um passado que não pode deixar de ser pilar, sem o qual suicidamo-nos como seres culturais: os conteúdos de memória que garantem a nossa identidade, tanto como pessoas quanto como grupo social. Esse passado é mais vivo que o chamado "futuro" que ainda não constitui o que de fato somos. Futuro é apenas possibilidade, importante enquanto mansão de nossos sonhos.

NÍVEL 2

O nível 2 de argumentação da obra, ou seja, a propósito especificamente do uso das novas tecnologias na educação, enseja os seguintes pontos de discussão:

A) Há, na obra, um pressuposto básico de que discutir o uso do computador no processo de ensino/aprendizagem ultrapassa o âmbito da técnica, envolvendo questões teóricas a respeito da educação (pg. 4). Não é um processo de treinamento de habilidades no uso do computador, justamente, porque, como afirma magistralmente o autor, este não pode ser encarado como panacéia que irá resolver todos os males inerentes ao processo educacional.

B) A razão da resistência ao uso dos computadores na educação formal é atribuída, pelo autor, ao conservadorismo dos professores, enquanto a educação não-formal é menos resistente (pg. 14).

Acredito que a explicação é um tanto nominalista e simplista. O que leva o professor a ser conservador nesse nível de atuação e em outros não? Não creio que seja o medo de "perder o lugar para a máquina" (a "classe" não é tão unida assim...) A meu ver existem duas razões básicas:

a) O professor, por falta de tempo, recursos e conhecimento, não se dispõe ainda a aprender o uso do computador. Nesse aspecto, é com grande simpatia que encaro a oportunidade da obra aqui analisada, que alia rigor nas discussões teóricas à competência didática de desvendar, em termos bastantes acessíveis, os segredos e as possibilidades do computador como máquina de ensinar e aprender. Felizmente o autor também abomina o hermetismo de linguagem criado pela tecnologia que vira moda, gregária e excludente dos "não-iniciados".

b) A cautela de quem, apesar de reconhecer a utilidade do uso do computador como ferramenta de ensino/aprendizagem, vê o processo educacional ultrapassando a intermediação da máquina, no contato presencial. Há relações que requerem o contato presencial em sua essência. Assim, por exemplo, posso um dia morar em uma "casa inteligente", conectar o mundo todo para realizar meus negócios ou trocar informações, mas terei que continuar sentando lado a lado, "tête a tête", com meus filhos para "curtí-los" e ajudar na sua formação. O processo educacional, a meu ver, constrói-se em nível semelhante de envolvimento pessoal.

C) A obra abre um leque de possibilidades interessantes do uso do computador para facilitar a aprendizagem. Com razão o professor é visto como o "facilitador" da aprendizagem, o agente é o próprio aluno. O computador, a ferramenta que o aluno usa para aprender. Mais importante, portanto, que aprender informática é usar a informática para aprender (pg.54).

Há, de fato, formas de uso do computador que podem facilitar a educação do pensamento crítico e autônomo do aluno, dentre as quais pode-se destacar:

12/4/99
Antonio Carlos Rodrigues de Moraes
acromo@cps.sol.com.br